
Ontem de tarde precisava de pensar, pensar com calma, fazer perguntas a mim própria sobre coisas banais, mas requeriam uma resposta imediata ,consciente e viável. Então lembrei-me de ir limpar o pó aos meus livros, como os adoro.
Para mim mexer , cheirar, olhar e sentir os livros é o melhor que me pode acontecer. Desde muito nova que tenho uma paixão incrível por livros, apesar de dar alguns erros ortográficos, mas isso é outra história. Quando me sinto confusa, desamparada, triste, melancólica, deprimida, feliz, ...,são eles o meu melhor amparo.
Em casa de meus pais nunca faltaram livros de tudo e sobre tudo. Nunca me foi negado o seu acesso, muito antes pelo contrário , os meus pais liam imenso e sempre me incentivaram a fazer o mesmo. Aos 14 anos lembro-me de ter lido titulos como; Decameron de Bocaccio ; O Macaco Nú de Desmond Morris; O Príncepe de Maquavel e outros tantos que não vou nomear agora. Mas também li Corín Tellado, falecida à poucos dias. Como chegaram esses livros até mim? Uma das empregadas lia-os ,eu na minha curiosidade também os li emprestados e para desgosto da minha mãe que os achava um verdadeiro "lixo".
Ao olhar para trás, ao lembrar-me de alguns do titulos e das suas histórias, sinto vontade de rir.
Não foi fácil ser adolescente do pós 25 de Abril de 1974. Por um lado nada era proíbido, mas por outro os meus pais especialmente a minha mãe, tinha tido uma educação muito tradicional, em que o papel da mulher não se assemelha em nada ao papel de hoje. Ainda mais dificil se tornou quando as hormonas naturais da idade pedem beijos caricías, sonhos e devaneios.
Dona Corín Tellado, depois de muito pensar a Srª é em parte culpada por este dualismo de sentimentos que ainda hoje carrego. O amor romântico, que como a srª mais tarde reconheceu, não existe e o amor livre em que cada vez que o pratico me sinto culpada.
ps:
Foi a grande culpada, mas não a única. A minha ansia de romance provém tambem em grande parte das músicas românticas dos anos 50/60 do sec. XX e dos filmes que passavam na televisão.
Homens como os que eu nunca tive, embora por vezes acredite que talvez ainda possa encontrar algum saído lampeiramente de um dos seus romances.
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